terça-feira, 31 de julho de 2012

A bola da vez


Não é todo dia que se tem a oportunidade de acompanhar uma sessão de julgamento. Ainda mais da Câmara de vereadores de Londrina, uma cidade de médio porte, segundo maior colégio eleitoral do Paraná e terceira maior cidade do Sul do Brasil.
A sessão de julgamento do Caso Centronic, que acusava o prefeito de utilizar seguranças pagos pela prefeitura na rádio da qual ele é sócio-proprietário, começou às nove horas da manhã e teve seu desfecho às dez horas da noite. A Câmara, em sessão histórica, iria definir os rumos do chefe do executivo municipal.
 Inicialmente  o julgamento foi marcado por diversos recessos e intromissões dos advogados do prefeito Homero Barbosa Neto. No período da tarde houve menos intromissões e  funcionários da Câmara se revezaram na leitura do relatório final da Comissão Processante (CP).
 O movimento “Por amor a Londrina” que, segundo um de seus coordenadores, é apartidário,  resgatou um pouco o clima do ano de 2000, no qual o “Pés vermelhos, mãos limpas”, contribuiu para divulgar as acusações contra o prefeito da época, Antonio Casemiro Belinati, também convocando a sociedade para a manifestação frente às acusações de irregularidades na administração.
 Segundo a vereadora Sandra Graça (PP), em entrevista para o Jornal de Londrina, “agora a sociedade está mais quieta”. No entanto não foi o que pode ser visto na sessão de hoje. Diversas pessoas que compareceram a sessão foram favoráveis à cassação do prefeito. Os contrários também estiveram representados, porém em menor número. Os manifestantes demonstraram claramente seu posicionamento com vaias e hinos que foram entoados durante toda a sessão.


A polícia marcou presença durante toda a sessão, com uma quantidade de PMs que era semelhante ao número de manifestantes. No entanto, a vigilância não deixou de ser uma piada. Em alguns momentos era permitido entrar com câmeras na casa, em outros não mais. Algumas vezes houve revistas, em outras não. Houve momentos em que era pedido o comprovante de residência e em outros não. A sensação de poder era vista claramente no rosto dos PMs a cada pedido na hora da revista, esperando que algumas coisas tivesse sido deixada para trás.
No final, com treze votos favoráveis a cassação do prefeito, dois contrários e três abstenções, Homero Barbosa Neto, agora ex-prefeito, foi cassado da chefia do executivo municipal por seus colegas do legislativo. Resta saber agora os próximos passos de José Joaquim Ribeiro (PSC) vice de Barbosa.

Fotos e reportagem: Allyson Pallisser

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